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terça-feira, 6 de maio de 2014

O elo da corrente

Mekugi



A espada japonesa é presa em seu cabo apenas por encaixe, e o que mantem todo o conjunto seguro é apenas um pino de bambu, o " Mekugi ".

Isto permite que a espada possa ser desmontada facilmente para afiação, limpeza ou troca de peças.


Porém..........

de nada adianta a espada ser forte e o cabo bem resistente, se o pino se soltar ou quebrar.

Resultado a lâmina pode sair voando.

Por isto meus amigos, confiram sempre se esta peça está no lugar e em bom estado.

Não vale usar hashis do restaurante, pois não é seguro, é fraco e perigoso.

O certo é se usar um bambu bem forte e flexível.

Para isto se usa uma espécie de bambu com pouco amido e fibras compactas, que além disto é tratado com calor e fumaça.

No japão se chama  " Susudake".

Na foto vocês podem notar a diferença do bambu tratado com calor, cor mais escura.



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Após postagem recebi uma série de perguntas sobre com se fabricar, qual espécie de bambu, etc.
seguem algumas observações em forma de perguntas e respostas:

1-Posso usar outro material para substituir,garrafa pet derretida, pinos de alumínio ou madeira daquela caixa do sacolão ?

O propósito do blog é mostrar como é feita da forma tradicional japonesa.
Alguns métodos foram testados e aperfeiçoados ao longo de séculos.
Portanto recomendo não perder muito tempo para reinventar a roda.

2-Qual espécie de bambu posso usar para substituir no Brasil; eu mesmo posso fazer o tratamento do bambu ?

Existem várias especies diferentes de bambu no Brasil,  para resultado satisfatório é necessário escolher um espécie com pouco amido e grande densidade de fibras. 
A espécie japonesa pode ser encontrada no brasil em algumas regiões.
Além exige uma série de cuidados: colher em período seco e de madrugada ( o bambu fica com menos amido e água). Pré secagem e aquecimento no fogo.

Portanto após muita pesquisa e testes preferi comprar importado já que não é tão caro.
Mas nada impede de fazerem um teste.

3- Eu vi fotos com pinos de chifre de búfalo, qual a diferença?
Os pinos de chifre são usados em shirasaya, mas não é recomendado se usar em espadas para corte e treino.
















terça-feira, 22 de abril de 2014

Saya parte 2

  Após modelado interna e externamente, o " saya "que receberá pintura é reforçado com peças de chifre.

 Na  entrada da espada " koiguchi "


No " kurigata  onde é preso o cordame .




E o final " kojiri ".


Depois é reforçado com colagem de papel para reforçar as emendas.


E para finalizar, uma camada de laca japonesa " urushi " é aplicada para selar os poros da madeira e reforçar as emendas de papel.



Ufa......

Desta etapa em diante fica por conta do pintor de " saya ", mas isto já é uma outra história.













segunda-feira, 21 de abril de 2014

Novo Site

Para website mais enxuto e com fotos em boa resolução acesse o Novo Site  .

obrigado.


sábado, 12 de abril de 2014

Pedras naturais japonesas e polimento

 

O uso de pedras naturais para afiação e polimento é um assunto bem vasto e técnico.

  Bem antes de existir papel lixa, eletricidade e lixadeiras, os antigos polidores precisavam encontrar na natureza abrasivos  para dar acabamentos em suas facas, espadas e ferramentas.

  E diferentes regiões e montanhas foram descobertas pedras com características boas para este fim.

O profissional especializado em polir espadas no japão se chama "Togishi".



  Toda  pedra sintética ou natural é composta basicamente de um grão cortante ( abrasivo) e uma cola ( aglutinante).

  No caso das pedras naturais o grão abrasivo é menos agressivo que os sintéticos ( mais arredondado). Além disto  abre os poros do aço ( grãos),  ao contrário dos sintéticos que entopem e deixam brilhando.

O aglutinante varia bastante, pedras que se desgastam facilmente e outras bem duras.

  Devido a dificuldade de se encontrar pedras sem " sujeiras" ( impurezas que irão riscar a lâmina com riscos mais grossos), as boas pedras de polimento são raras e muito caras.

  Fiz um teste  rápido pra podermos visualizar o efeito de algumas.


Pedra acima chamada de "chu-nagura", equivalente a um grão # 600.


  Pedra seguinte " koma-nagura", equivalente ao grão # 1000. 

Notem uma série de pontos vermelhos na massa branca. Estas são impurezas que riscam a lâmina. 

  Atualmente não se encontra uma boa pedra desta para comprar, se achar é antiga, com preços acima de R$ 15.000,00.

  Até este estágio normalmente se usam pedras sintéticas, pois são mais uniformes.

  Porém a partir da próxima é obrigatório o uso de naturais.
  

  São usadas duas pedras " uchigumori".Uma mais macia chamada " Hato".


E a mais fina ainda e dura, chamada de "Jito".


E a última é uma chamada " Narutaki", que é colada em papel para se lixar a parte macia da lâmina e ajuda a revelar o desenho do aço.





  Depois se aplica pó bem fino de minério de magnetita para escurecer a parte macia.

Este tipo de acabamento é chamado de "sashikomi" mostra a espada como ela é.

  Existe um outro estilo de finalização onde a linha de têmpera fica mais aparente ,chamado de "kesho", como se fosse uma maquiado.

Quem quiser se aprofundar mais sobre o assunto pode comprar o livro.
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Kanna


A bainha da espada é modelada por fora com uso de plainas de várias larguras.

Estas plainas são feitas com uma base em madeira, carvalho branco ou vermelho.

e lâmina cortante em aço com ferro.

O ajuste do corte se faz batendo na parte de cima da lâmina e na parte da madeira marcada com a fita verde.


Para acabamento é retirado material bem fino (0,018 mm)
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No próximo artigo vamos falar sobre pedras naturais japonesas e polimento.







quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ferramentas para saya- KIRIDASHI

   Para se escavar a madeira da bainha e cabo da espada são usados formões, plainas e facas.

  Kiridashi em japonês é o nome das pequenas facas usadas para modelar e dar acabamento.


  Como são ferramentas que necessitam estar bem afiadas, e são afiadas a mão, se usa uma solução bem simples.


  Somente a parte do corte é feita de aço, as outras em ferro.

  Isto agiliza a afiação pois o ferro é bem macio e se desgasta rápido na afiação, economizando assim bastante tempo.

  Também na parte reta de aço da faca tem um rebaixo para que se remova só o material necessário.
  Não deve ser usada lixas, pois os grãos abrasivos que se soltam das lixas ficas presos nos poros da madeira .
  Resultado  riscos na espada ao se embainhar e desembainhar.


No Próxímo capítulo da novela....

                                                             Plaina Japonesa, não percam.











terça-feira, 8 de abril de 2014

Colorindo

Colorindo

  Vários metais e ligas são usadas nas peças das espadas japonesas: ouro, prata, cobre, chumbo, arsênico e zinco.
  Na pátina tradicional, o ouro e a prata puros não alteram sua cor original; porém as outras ligas mudam sua cor, possibilitando se obter uma paleta de cores bem interessante.
  Rokusho é o nome do ingrediente que faz a mágica acontecer.


  Depois de finalizadas, as peças devem estar isentas de óleo e óxido.
O método tradicional usa uma escova de rabo de cavalo e pós para polimento.

Depois é mergulhado em suco de nabo.


 E finalmente na patina, onde pode ficar de minutos a um dia dependendo da cor desejada.


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