sábado, 12 de abril de 2014

Pedras naturais japonesas e polimento

 

O uso de pedras naturais para afiação e polimento é um assunto bem vasto e técnico.

  Bem antes de existir papel lixa, eletricidade e lixadeiras, os antigos polidores precisavam encontrar na natureza abrasivos  para dar acabamentos em suas facas, espadas e ferramentas.

  E diferentes regiões e montanhas foram descobertas pedras com características boas para este fim.

O profissional especializado em polir espadas no japão se chama "Togishi".



  Toda  pedra sintética ou natural é composta basicamente de um grão cortante ( abrasivo) e uma cola ( aglutinante).

  No caso das pedras naturais o grão abrasivo é menos agressivo que os sintéticos ( mais arredondado). Além disto  abre os poros do aço ( grãos),  ao contrário dos sintéticos que entopem e deixam brilhando.

O aglutinante varia bastante, pedras que se desgastam facilmente e outras bem duras.

  Devido a dificuldade de se encontrar pedras sem " sujeiras" ( impurezas que irão riscar a lâmina com riscos mais grossos), as boas pedras de polimento são raras e muito caras.

  Fiz um teste  rápido pra podermos visualizar o efeito de algumas.


Pedra acima chamada de "chu-nagura", equivalente a um grão # 600.


  Pedra seguinte " koma-nagura", equivalente ao grão # 1000. 

Notem uma série de pontos vermelhos na massa branca. Estas são impurezas que riscam a lâmina. 

  Atualmente não se encontra uma boa pedra desta para comprar, se achar é antiga, com preços acima de R$ 15.000,00.

  Até este estágio normalmente se usam pedras sintéticas, pois são mais uniformes.

  Porém a partir da próxima é obrigatório o uso de naturais.
  

  São usadas duas pedras " uchigumori".Uma mais macia chamada " Hato".


E a mais fina ainda e dura, chamada de "Jito".


E a última é uma chamada " Narutaki", que é colada em papel para se lixar a parte macia da lâmina e ajuda a revelar o desenho do aço.





  Depois se aplica pó bem fino de minério de magnetita para escurecer a parte macia.

Este tipo de acabamento é chamado de "sashikomi" mostra a espada como ela é.

  Existe um outro estilo de finalização onde a linha de têmpera fica mais aparente ,chamado de "kesho", como se fosse uma maquiado.

Quem quiser se aprofundar mais sobre o assunto pode comprar o livro.
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Kanna


A bainha da espada é modelada por fora com uso de plainas de várias larguras.

Estas plainas são feitas com uma base em madeira, carvalho branco ou vermelho.

e lâmina cortante em aço com ferro.

O ajuste do corte se faz batendo na parte de cima da lâmina e na parte da madeira marcada com a fita verde.


Para acabamento é retirado material bem fino (0,018 mm)
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No próximo artigo vamos falar sobre pedras naturais japonesas e polimento.







quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ferramentas para saya- KIRIDASHI

   Para se escavar a madeira da bainha e cabo da espada são usados formões, plainas e facas.

  Kiridashi em japonês é o nome das pequenas facas usadas para modelar e dar acabamento.


  Como são ferramentas que necessitam estar bem afiadas, e são afiadas a mão, se usa uma solução bem simples.


  Somente a parte do corte é feita de aço, as outras em ferro.

  Isto agiliza a afiação pois o ferro é bem macio e se desgasta rápido na afiação, economizando assim bastante tempo.

  Também na parte reta de aço da faca tem um rebaixo para que se remova só o material necessário.
  Não deve ser usada lixas, pois os grãos abrasivos que se soltam das lixas ficas presos nos poros da madeira .
  Resultado  riscos na espada ao se embainhar e desembainhar.


No Próxímo capítulo da novela....

                                                             Plaina Japonesa, não percam.











terça-feira, 8 de abril de 2014

Colorindo

Colorindo

  Vários metais e ligas são usadas nas peças das espadas japonesas: ouro, prata, cobre, chumbo, arsênico e zinco.
  Na pátina tradicional, o ouro e a prata puros não alteram sua cor original; porém as outras ligas mudam sua cor, possibilitando se obter uma paleta de cores bem interessante.
  Rokusho é o nome do ingrediente que faz a mágica acontecer.


  Depois de finalizadas, as peças devem estar isentas de óleo e óxido.
O método tradicional usa uma escova de rabo de cavalo e pós para polimento.

Depois é mergulhado em suco de nabo.


 E finalmente na patina, onde pode ficar de minutos a um dia dependendo da cor desejada.


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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Saya

    A bainha da espada ou " saya " é também uma das partes importantes da espada.
Tradicionalmente é feita em madeira magnólia " honoki". É escavada internamente através de formões "nomi" e facas "kiridashi".
   São coladas com cola feita de arroz e modelada externamente através de plainas de " kanna".



  Se bem feita, internamente não fica larga, porém toca na lâmina ( apenas parte dorso e "habaki" ), pois se tocar aparecem pontos de ferrugem ao longo do tempo.
  Uma espada pode se estragar com uma bainha mal feita.


  São dois os tipos básicos de bainha, a "shirasaya" sem pintura, apenas encerada que serve como estojo pra guardar a espada. 
E a  pintada com laca japonesa e que recebe reforços de chifre de búfalo no início " koiguchi", final " kojiri" e parte central "kurigata" onde se prende um cordame.

Se meu chefe deixar, vamos continuar com mais fotos e detalhes sobre o assunto em posts futuros.
inté.








domingo, 6 de outubro de 2013

Pincel de aço

Os cinzéis (Tagane em japonês), são as ferramentas usadas para gravação em metal na tradição japonesa antiga.

Juntamente com martelos de diferentes pesos, abrem uma gama de possibilidades de texturas, cortes e relevos.

Usando a técnica de forjamento, produzi  alguns cinzéis para um curso de joalheria.




Seguem algumas dicas que podem ser úteis para aqueles que queiram confeccionar suas próprias ferramentas; já que não existem todos os modelos disponíveis pela indústria.

O material deve apresentar algumas características importantes como:

Ser fácil de fazer tratamento térmico, forjado e apresentar boa retenção de corte. (Escolhi o aço vw1 ).

Usar atmosfera redutora na forja (menos oxigênio), para evitar perda de carbono.

Na foto peça deixada 5 minutos em atmosfera carburante ( rica em oxigênio) para mostrar  os efeitos negativos de descarbonetação.




Após finalizar forjamento realizar normalização para redução do tamanho do grão do aço e alívio de tensão.







Foto mostrando o aço temperado com normalização, reparem o tamanho do grão do aço muito fino, ao lado o grão bem grosso. O da esquerda possui também uma trinca por forjamento em temperatura baixa.
Desempenar/alinhar as peças a martelando a frio.
Lixar para descobrir possíveis trincas superficiais.
Sequência de forjamento que usei






Pronto agora é só modelar a pontas da ferramenta, temperar e afiar.













sábado, 2 de março de 2013

Pessoal de SP!!!!!
Em parceria com o espaço Mizu  um encontro sobre Espada Japonesa e suas montagens( tsubas, fuchi, kashira, menuki,etc).
Teoria e prática.